Relatos de saídas Belo em 15 Ago 2006
Andradas - Uma aventura na cabeça do elefante
Uma aventura na cabeça do elefante
Abdala, Belo, Danilo, Filhote e Juliana
25 de Março de 2006
12 horas de São Paulo à Andradas
Sol, chuva e sol novamente em poucas horas e em uma via de 180m.
Trilha de carro para chegar e muita lama para voltar
Carro perdido na noite, pneu furado…
Saiba como uma simples escalada se transformou em um loongo e MARAVILHOSO dia na montanha !
Fernando Abmala, mega -empresário do ramo de confecções, acordou cedo na 6ª feira. Passou na empresa em São Paulo e em seguida foi visitar a fábrica no interior paulista.
Por volta das 14:00, ligou para o amigo Belo, para pedir informações de como chegar ao refúgio. O Amigo bem tentou lhe explicar o caminho todo, mas Abmala, viajante experiente, trilheiro, surfista e aventureiro, afirmou conhecer um caminho fácil fácil e que o problema era só da cidade até o refúgio.
Após anotar todas as indicações, por volta das 15:00 saiu de Salto, com seu “pequenino e discreto” veículo, com destino a Andradas. Como ainda era cedo, e os amigos só chegariam no sábado pela manhã, Abmala teve a brilhante idéia de seguir por um caminho alternativo que ele “conhecia”, assim podia sujar seu off road e já que estava deixando a barba crescer a semana toda, o carro sujo aumentaria ainda mais sua “cara de mau” na pequena e pacata cidade interiorana de Andradas.
A Viagem foi tranquila e em apenas 12 horas ele alcançou seu destino. Lá estava Abmala, seguro para uma noite tranquila no refúgio da Pedra do Pantano. Antes de dormir, as 03:00 ele fez as contas e descobriu ter alcançado a impressionante média de 21 Km/h, cobrindo a impensável distância de 250 Km em apenas 12 horas!!!
Mas nem todos tiveram a sorte de compartilhar tão agradável viagem…
Enquanto Abmala se esbaldava conhecendo o interior paulista e mineiro, Belo estava trabalhando, Juliana fazendo compras para o fim de semana, Filhote estudando e Danilo visitando suas clientes.
No fim da tarde, todos se falaram por telefone e combinaram que sairiam de São Paulo as 05:00 e tentariam a insanidade de bater o Record e diminuir o tempo de Fernando Abmala.
Juliana, que está acostumada a viajar para uma cidade próxima a Andradas, afirmou para os incrédulos amigos, que com o Cupê Mal Assombrado, baixaria a já impressionante marca de 12:00 para apenas 02:30. Era difícil de acreditar em tão ousada façanha, mas mesmo assim, o horário de partida ficou confirmado para as 05:00 e após arrumarem os equipamentos todos foram dormir.
Após agradável viagem, com direito a parada para café da manhã e degustação de delicioso suco de laranja, os 4 intrépidos companheiros chegaram ao refúgio.
Mesmo com a potente viatura, e contando com a experiente Juliana ao volante, a parada para café da manhã, o excesso de radares e o estado precário da estrada, fizeram com que Juliana não alcançasse o tempo esperado. Foi uma decepção descobrir que eles bateram o recorde do Abmala por apenas 09:00 de diferença !!!
Chegando no Abrigo, encontraram Abmala dormindo e após o acordarem, preparam tudo e se lançaram rumo a temida pedra do elefante.
Danilo, que a essa altura já tinha acordado (pois é… ele não dormiu a noite, mas tirou o atraso no carro mesmo) se candidatou a pilotar a Viatura (Abmala –móvel).
Estrada de terra… Algumas pocinhas de água, indicações dos moradores locais e em menos de 10 minutos já víamos a pedra a nossa frente.
Enquanto Belo e Juliana, aproveitavam todo o luxo e opulência do interior do veículo, Abmala e Filhote bravamente chacoalhavam na caçamba.
O caminho, era perigosamente interrompido por porteiras, quando heroicamente, Abmala e filhote se revezavam e em ato de coragem extrema abriam cada uma para que o poderoso veículo pudesse passar.
Mas eis que em uma dessas porteiras o pior aconteceu… Abmala, mesmo com toda sua experiência de jipeiro teve a infelicidade de ficar preso do outro lado da porteira !!! Realmente foi um lance de azar, pois após a passagem do veículo e extremo esforço para recolocar a porteira no lugar, Abmala se viu preso do lado oposto ! Como isso aconteceu ?
Mas nosso heróico amigo, não se deteve diante deste imprevisto, em um momento de coragem, escalou o pau (ops) da cerca e após alguns minutos de hesitação, saltou para o outro lado, podendo então retornar ao veículo para continuarmos viagem.
Um pouco mais a frente, encontramos mais uma porteira e segundo informações do Danilo, que já havia estado por lá de 4x4, dali pra frente as coisas complicariam. Querendo se livrar da Roubada (já que o carro não tem seguro), Danilo trocou de lugar com Abmala.
A dificuldade só começava depois da cerca, mas talvez um pouco tonto, devido as chacoalhadas na caçamba e ainda adenado pelo perigo da porteira anterior, Abmala quase atolou o carro em um gramado plano. Mas nada que os pequenos Pneus 33” não dessem conta.
Continuamos a subida,e a partir dali realmente o terreno passou a ser + inclinado e esburacado… mais algumas curvas, buracos e chacoalhadas chegamos ao fim da linha (ao menos para o carro).
Dali em diante seriam impressionantes 15 minutos de subida até a pedra. (normalmente se leva cerca de 45 min/ 1 hora)
Rapidamente os 5 amigos acharam o início da via escolhida (Vulcano) e se equiparam para a empreitada.
A 1ª cordada, apelidada de “cordada da morte” era composta por Danilo e Abmala, a 2ª por Belo, Juliana e Filhote.
Logo Danilo saiu guiando, seguido por Abmala. Depois foi a vez de Belo e Filhote, que ao chegar a P1 já foi recepcionado por uma fina chuva.
Ao longe, era possível avistar enormes nuvens pretas e inclusive identificar diversos pontos de chuva. Mas os destemidos e otimistas resolveram continuar, solicitando então que Juliana começasse a subir.
Mas em poucos minutos as nuvens nos alcançaram e os 5 tomaram muita chuva na parede.
Após discutirem um pouco, chegou-se ao consenso que o melhor seria descer.
Assim o fizeram, e junto com Marcão e Serginho, que estavam tentando a via ao lado, se refugiaram embaixo das arvores, onde sorrisos se misturavam a decepção, após 12:00 de viagem, apenas 20 min de escalada ?
Resolveram todos voltarem para o abrigo, mas assim como a chuva veio ela se foi… 5 minutos depois, um sol quente e um vento abafado já tomavam conta do lugar…
Sentaram então todos ao sol, equipo para secar e já era hora do almoço…
Após cerca de 2 hs de papo, equipo relativamente seco e ânimo renovado, resolveram todos voltar a escalar… Danilo e Juliana ainda tentaram escapar do trampo, mas foram vencidos pela insistência dos amigos
Dessa vez, nosso intrépido amigo Abmala tomou a dianteira e mesmo com a pedra molhada seguiu para cima, seguido de Danilo.
A 2ª cordada (Belo, Jú e Filhote) foi logo na cola, e assim foram ganhando altura.
A via escolhida não era difícil (5º VI 180metros) - mas também não foi “de graça”. Alguns lances bastante interessantes, uma bela vista e rapidamente os 5 se encontravam no cume.
Após a chuva da manhã e todo tempo perdido secando equipamento e comendo, a hora já se adiantava e pouco puderam aproveitar lá por cima…
Assim que o Belo chegou, todos já saíram procurando a via que seria melhor para a descida.
Rapidamente o Danilo encontrou a base da “via do jacaré” e logo todos começaram a descer. Cada um que descia, já levava outra corda para armar o próximo rapel. Nesse esquema a descida prometia ser bastante rápida.
Em um momento de distração, o Belo olhou ao longe e percebeu que novas nuvens negras se aproximavam… Percebeu também que o sol já se punha e que em breve estaríam no escuro. Pediu então a todos que já se preparassem com as lanternas, pois ali no platô era mais tranquilo de arrumar o material.
Seguiram descendo, mas tão rápido quanto o time, chegaram a escuridão e a chuva.
A cerca de 75m do chão, foram todos assolados por uma chuva pesada, não se enxergada mais de 1m e as cordas molhadas, pesadas , impulsionadas pelo vento, cismaram de se enrolar para todos os lados.
Como nesse momento, cada um se encontrava em uma corda diferente e em alturas diferentes, é difícil saber o que exatamente acontecia e como cada um enfrentava a dificuldade, principalmente o filhote, pois em sua primeira experiência em uma montanha de verdade, já estava experimentando tudo no mesmo dia !
Lá para cima, logo no 2º rapel, Abmala já havia experimentado a sensação de ver seu auto- seguro abrir “sozinho” (já que não havia travado a rosca de segurança, ele acabou travando a outra rosca). Mas como todos já tinham experiência e com o Filhote sempre “vigiado” de perto, apesar de todas as dificuldades, os 5 continuaram a descida tranqüilos e sobretudo, inexplicavelmente felizes…
Praticamente a 15 ou n20m do chão, o belo ainda teve que prender-se com os jumares, e em um exercício de paciência tirar os nós que inexplicavelmente haviam se formado nas cordas.
Enquanto isso, a 2 paradas acima, Danilo e Juliana, lutavam contra uma corda que insistia em não descer e que teve que ser “buscada” pelo Danilo, que escalou alguns metros na rocha molhada debaixo de chuva para convencer a maldita corda que já era hora de voltar para casa !
Logo depois, já na base da via, encharcados, mas agasalhados, trocamos algumas risadas, quando a chuva, percebendo que a escalada tinha acabado, também resolveu parar.
Ainda tiveram, os bravos montanhistas, que recolher todo o material, acondicionar nas mochilas, procurar o tênis do Lucas que estava na base da via de subida e encarar a descida em mato molhado, bombardeado por bosta de vaca.
A descida foi tranqüila, mas nem ao longe se avistava a Toyota… Todos de lanternas ao longe e eis que surge um pequeno ponto branco. Pronto. Ali está ela… Só + 10 minutos para o fim do dia… Será ?
Após alcançar o carro, tirar o equipo, pisar em formigueiro, agora era só manobrar a pequenina carreta e descer…
É, mas nem tudo é tão simples como parece… Após tanta chuva, o piso estava muito escorregadio, o que exigiu toda perícia de nosso experimentado piloto Abmala.
Após alguns escorregões, muitos solavancos, chegamos ao ponto crítico. Uma curva fechada, onde na subida já quase haviam derrubado o barranco. Mas o problema é que no sentido oposto, não havia barranco, e sim uma enorme ribanceira ! Desceram Belo, Danilo e Filhote, que literalmente empurraram o carro no caminho certo e após uma rézinha e + uma manobra a trupe estava de volta à estrada.
Por incrível que pareça, na decida o Belo não teve a mesmo azar que Abmala, e mesmo no escuro e já cansado após o longo dia de escalada, e mesmo trabalhando como único Zequinha (já que os outros estavam confortavelmente acomodados no delicioso e espaçoso banco traseiro da viatura) em nenhuma das porteiras ele ficou preso do lado errado. Que sorte heim !!!
Daí pra frente, foi tudo moleza… Logo os intrépidos chegaram no abrigo (20:15) tomaram um banho Express e seguiram para o aclamado internacionalmente restaurante União. (***** no guia 4 rodas)
Deliciaram-se com as iguarias, regadas a cerveja e deliciosa caipirinha de ypioca preparada pelo mestre facão ! (O Velho chato do Belo não deixou o filhote se esbaldar no álcool, o pai dele é grande pacas !l)
De pança cheia, só restava buscar a cama, e assim o fizeram.
O início da noite não foi fácil… Danilo, embalado pelo álcool e após bater o chifre em uma viga, desmaiou e brindou a todos com sonoro e ritmado ronco.
Após cerca de 30 min de sinfonia, Marcão resolveu colaborar com a turma e deu um chacoalhão no Danilo que ao menos por um bom tempo ficou em silêncio.
Domingo, o dia amanheceu estranho… Nuvens negras, céu pesado e muita umidade por sobre as pedras… Passaram os cinco o dia todo de papo, lembrando as peripércias do dia anterior.
No fim da tarde, após trocar o pneu furado do bravo veículo, seguiram novamente para a cidade, onde se deliciaram em um fast food, com lanchinhos light servidos com muita velocidade . Ainda na lanchonete puderam ver no telão o início do Jogo do São Paulo (que para quem estava torcendo contra e não sabe, ganhou de virada por 4x2 !)
Juliana seguiu então para São João da Boa Vista, onde dá aulas na FEOB enquanto o quarteto seguiu para São Paulo
A viagem de volta também foi tranqüila, dessa vez, auxiliado pelo experiente navegador Danilo e a promessa do Abmala de não enveredar por novas cidades, o prazo de chegada a São Paulo estava estimado em 3 hs.
Após parada para abastecimento, troca de pneu, limpeza das lanternas constataram que o pneu realmente precisaria ser reparado e saíram a caça de borracheiro.
Depois de alguns Km, acharam um e após andar na contra-mão, quase cair em uma vala e derrubar uma placa, alcançaram a borracharia, onde rapidamente e com competência espantosa, foram devolvidos a estrada em poucos minutos.
Daí pra frente foi só alegria, os 4 voltaram dando muita risada nos poucos momentos que conseguiam ouvir alguma coisa devido ao ronco do poderoso motor da Toyota.
Já em São Paulo, o Filhote foi devolvido ao seu pai, o Belo e o Danilo ficaram na casa do Belo e Abmala seguiu para sua casa (será que ele já chegou ?)
Pois assim foi mais um fim de semana de escalada !
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em 15 de Agosto de 2006 @ 10:50 1.Sergio disse:
Essa história tá muito boa!! O intrépido Abmala é demais…..!!
em 29 de Janeiro de 2007 @ 16:28 2.Sylvio Jr. disse:
Esta cabeça do Elefante não sai da minha cabeça !!! Um dia eu chego lá !
Tava muito alto lá Belo ?……….fiquei com medo só de ver as fotos !
Imagina se o Elefante resolve se levantar na hora da escalada !
[[ s ]]
Sylvio Jr.