23 de Janeiro de 2008

Pico da Bandeira

Publicado por Belo em Relatos de saídas | Enviar por e-mail.

Pico da Bandeira -julho de 2007.

Ana Karina, Danilo Belmonte, Gervasio Bechara, João Henrique, Juliana N. B. Belo, Lina, Marcelo Rey Belo, Maria Bechara, Roberta Mascolli e Sylvio Jr.

Texto: Belo / Seo Gê

Aproveitando o feriado paulista de 9 de julho (Revolução Constitucionalista de 1932) fomos à Serra da Chibata ou do Caparaó, em Alto Caparaó no estado de Minas Gerais, para escalar o pico da Bandeira (2.892 m), 3º pico mais alto do Brasil. O pico recebeu este nome por determinação de D. Pedro II para que fosse colocada uma bandeira do Império no pico mais alto da Serra do Caparaó, o que aconteceu por volta de 1859.

Saímos no dia 6 de julho, uma 6ª feira, e voltamos no dia do feriado, uma 2ª feira. Tivemos como guia, que assinava os e-mails como “o guia perdido”, o famoso e aclamado “Seo Gê” (meu sogrão), que nasceu por aquelas bandas e, que de pés descalços ou em alpercatas, explorou a região em sua infância, durante as férias escolares, acompanhado do pai “Seo Braguinha”, irmãos e amigos. Ele costuma dizer que “…o montanhismo esteve sempre presente em suas memórias, e que felizmente a Ju deve ter herdado dele o fascínio pelas montanhas”.

Saímos de São Paulo na 6ª feira em 2 carros, num deles este escrivinhador, Juliana, João e Roberta, no outro Seo Ge e Dna. Maria. O caminho até lá é simples: Carvalho Pinto, Ayrton Senna e Dutra. Depois saímos pela Rio-Bahia em Além Paraíba e dormimos na cidade de Três Rios – RJ, a 450 Km de São Paulo.
Em outro carro estavam Danilo, Lina, Sylvio e Karina, que chegaram durante a madrugada.
Hotelzinho “honesto” (www.hotelcomendador.com.br) com bom custo x benefício e um excelente café da manhã; a curiosidade fica por conta dos recados pintados por todas as paredes e da arquitetura das portas.

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No sábado acordamos cedo e quem foi o último a aparecer para o café ??? Listo ??? Sim, Sylvio Jr, que após 450Km de carona com o Danilo acordou literalmente com os cabelos em pé !

Seguimos então direto para a cidade de Alto Caparaó, sempre por estrada de mão dupla, que em alguns momentos passa por dentro de cidades, com lombadas, semáforos e direito à carretas enormes aguardando alguém estacionar em frente à vendinha local.
Apesar de ser um caminho longo, sobretudo pela baixa velocidade média a estrada não é ruim e pode ser percorrida por qualquer carro.

Parada na Estrada
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Depois de um total de quase 800 Km, já em Alto Caparaó, nos hospedamos a apenas alguns Km da entrada do Parque Nacional do Caparó, na pousada do Bezerra (www.parquenacionaldocaparao.com.br), onde chegamos justamente na hora do almoço e mandamos ver na comida mineira, não sem antes experimentarmos uma cachacinha mineira, daquelas de alambique, pura ou sob forma de uma deliciosa caipirinha !

Primeira Vista da Serra
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Logo em seguida, fomos por estradas de terra batida comendo muita poeira até Caparaó (que NÃO é a mesma coisa que Alto Caparaó), para conhecer a cidadezinha onde Seo Gê nascera e passara parte de sua infância. Cidade de primeira… só tem duas ruas, a de cima e a de baixo ou rua da estação, e algumas transversais, com suas tradicionais casas de “secos e molhados”, botecos, sorveteria, padaria, farmácia e o indispensável coreto da praça.

Na Praça
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A rua da estação é assim conhecida pois por lá passava a Maria Fumaça da extinta Estrada de Ferro Leopoldina, criada no último quartel do século XIX e desativada nos anos 70 do século passado. Hoje, parte do leito desativado da estrada de ferro constitui o famoso Caminho da Luz - versão mineira do Caminho de Santiago de Compostela - percorridos em sete dias de caminhada e que parte de Tombos (Portal de Minas) na Zona da Mata mineira e termina no Pico da Bandeira, passando por diversos vilarejos, fazendas centenárias, matas, cachoeiras, grutas, capelinhas e antigas estações ferroviárias. No século XVIII, essa rota de 200 Km era percorrida por tropeiros, religiosos e aventureiros na travessia do Rio de Janeiro para o Espírito Santo por entre as montanhas de Minas Gerais.

Estação desativada
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Em Caparaó, demos uma volta a pé pela cidade (3 minutos) e logo Seo Gê encontrou o Paulo Ferreira, seu amigo de infância !!! Ficaram numa prosa animada, uma contação de “causos” e revivals, só vendo!.

Contador de causos
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Com hospitalidade mineira, fomos convidados (todos os 10) pelo Paulo a tomarmos um cafezinho em sua casa, que veio acompanhado de bolo, pão de queijo e biscoito de polvilho. Tudo caseiro e feito na hora, inclusive o café, que é torrado e moído nas próprias casas. Só de curiosidade, a região é cafeeira e produtora de leite.

Casa onde seo Gê nasceu
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O dia já terminava e nem havíamos notado, e na manhã seguinte deveríamos partir logo cedo para o Pico da Bandeira.
Acordamos bem cedinho, e mais uma vez me vi sozinho no refeitório, com tudo pronto (mochila, água, lanche, lanterna…) e nada dos outros aparecerem… Após bater de porta em porta e assistir o Globo Rural aos poucos cada um foi aparecendo com aquela cara de sono e o típico e comum pensamento “o que eu estou fazendo aqui?”
Pança cheia, me despedi da Juliana, a única a ficar na pousada, já que a Victoria, que nessa época ainda morava no útero, não estava a fim de subir o pico.

Seguimos em direção ao parque (10 min. de carro), que só abre às 08:00. Pagamos a taxa do Ibama e seguimos de carro por uma longa e sinuosa subida asfaltada, que a pé renderia boas horas de caminhada, até o local conhecido como “Tronqueira”, com boas facilidades, como estacionamento amplo, banheiros e área para camping. Já de lá, a partir de um mirante, descortina-se um belo panorama ímpar que alcança os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo

Tronqueira
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Vista da Tronqueira
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Largamos os carros, checamos água, lanches, lanternas e partimos a pé até o “Terreirão” pasando pelo Vale Verde, com uma seqüência de quedas d’água de águas límpidas e cristalinas, e geladas também.

Vale Encantado
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A idéia original era subir o Pico do Cristal (o mais bonito), depois o Pico do Calçado e, finalmente, o Pico da Bandeira.

A trilha até o Terreirão, o acampamento base com algumas facilidades (banheiros, pias, amplo espaço para barracas e a famosa “casa de pedra”), é muito bem demarcada, é preciso um grande esforço ou total incapacidade de localização para se perder. Seguimos sempre por caminho demarcado, em uma trilha bastante erodida.

Subindo…
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A maior causa da erosão encontramos logo aos 15 minutos de caminhada; o parque permite o pernoite em seu interior e grupos de turistas sobem até o Terreirão com colchões, panelas de pressão e um monte de bugigangas, que são carregadas no lombo de burros. Sim, existem “porteadores” com burros dentro do parque nacional!

Mulas na trilha
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Foi curioso observar cada um que descia e imaginar como este local pode atrair tanta gente, cada um com uma razão, uma motivação diferente. Com um sol escaldante, havia gente com enormes agasalhos, gorro, cachecol, outros de bermuda e camiseta, e até mesmo descalços !

Subindo…
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Chegando à casa de pedra (Terreirão), descansamos um pouquinho, desviamos da trilha principal ao Bandeira e seguimos para o Pico do Cristal.

Casa de Pedra
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Conforme já havíamos sido alertados, não há trilha demarcada para este pico. Assim, fomos seguindo em sua direção, em alguns momentos sob relva rasteira, em outros literalmente abrindo caminho no peito.

Cristal
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O dia estava lindo, mas muito quente e após algumas horas de caminhada, percebemos que a empreitada seria mais difícil do que parecia. Após confabular, decidimos que o melhor seria retornar ao Terreirão e seguir direto para o Pico da Bandeira, sob pena de só alguns chegarem ao cume do Cristal, mas não conseguirem seguir depois para o Bandeira, que era na verdade nosso objetivo principal.

Com o grupo sempre de bom humor,
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contando piadas, parando para fotos, tomamos o caminho para o Terreirão. Tudo o que havíamos descido agora se transformara em uma enorme subida em meio a muito mato… Mas sem perder o pique, em pouco tempo já estávamos de volta, prontos para continuar pelo caminho original até o Bandeira.

Nesse ponto, alguns resolveram não continuar e ficaram no Terreirão, após combinarmos que eles nos esperariam até o por do sol. Caso descêssemos já no escuro, nos encontraríamos então só na pousada em Alto Caparaó.

Confabulando
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A partir do Terreirão a trilha erodida dá espaço a pedra e o caminho todo é bizarramente demarcado com tinta amarela sobre a rocha! Essas faixas amarelas continuam sua demarcação, quase como em uma estrada de mão dupla! É obrigação do parque, sobretudo os visitados por turistas ignorantes no quesito orientação, demarcar as trilhas de maneira a minimizar a chance de ter gente perdida. Principalmente porque pelo número de funcionários que encontramos pelo caminho seria muito difícil montar um grupo para procurar alguém em uma área tão extensa. Mas daí a marcar sobre a rocha, enormes faixas em tinta amarela a espaços ínfimos é uma enorme diferença.

Depois de 15 ou 20 minutos de caminhada já se avista o pico com duas imensas e desnecessárias estruturas (uma antena e uma cruz de concreto)

Primeira vista do Pico da Bandeira
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De qualquer maneira, seguimos por nossa estrada vicinal e fomos ganhando altitude. O caminho é bastante simples, uma caminhada com alguns pequenos trechos de “escalaminhada”, mas que podem ser facilmente vencidos por uma criança. Porém o caminho é longo… O bom, é que com o dia avançando e ganhando altitude aos poucos, o calor insuportável foi dando lugar a uma refrescante brisa, até se tornar em um gélido vento no cume.
A vista é sensacional e nem as horrendas cruz e antena conseguem estragar o visual

Cume
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A vista lá da Tronqueira é então bastante ampliada e é possível enxergar outros picos ao longe, já nos estados do Rio e Espírito Santo.

Clique p ver o vídeo 360º do cume

Permanecemos um bom tempo apreciando o visual, comemos e bebemos alguma coisa e começamos o processo da descida. Ainda antes de chegar de volta ao Terreirão fomos agraciados com um belíssimo por do Sol;

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depois foi só continuar, já com a iluminação das lanternas. Foi um dia bem longo, e ao contrário do que acontece normalmente, a descida pareceu bem mais longa do que a subida. O Sylvio ia gritando “amarelo” a cada faixa que encontrava, o que apesar de irritante, pelo grande número de faixas, não deixava de ser cômico.

Já no conforto do carro, foram uns 15 minutos até a pousada onde recebemos nosso merecido jantar e revigorante banho.

No dia seguinte, nos encontramos todos para o café da manhã com um sorriso no rosto (e alguns com dores pelo corpo).

A viagem para São Paulo foi tranqüila, viemos direto apenas parando para lanches, almoço e banheiro.

Chegada na portaria do Parque………..08:00 hs
Início da Trilha………………………………..08:10 hs
Chegada no Terreirão……………………10:00 hs
Intervalo de descanso no Terreirão..15 minutos
Início da Trilha p/ Pico Cristal………….10:15 hs
Ponto em que paramos na trilha…….12:15hs (mais ou menos)
Intervalo de descanso no local……….20 a 30 minutos
Início do retorno ao Terreirão…………12:45 hs.
Chegada ao Terreirão………………………14:45 hs.
Intervalo no Terreirão……………………20 minutos
Início da trilha p/ o Bandeira…………..15:05 hs
Chegada no cume do Bandeira……….17:25 hs
Intervalo no cume…………………………35 minutos
Retorno ao estacionamento……………20:10 hs

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