Jubileu de ouro

por Rodrigo Granzotto Peron
Julho/2008

O Clube Alpino Paulista, ou CAP para os íntimos, fundado em 1959 pelo magistral Domingos Giobbi, estará completando jubileu de ouro no próximo ano, mas desde já gostaria de deixar registrada uma singela homenagem, de um não filiado, mas grande admirador.

Quando comecei a juntar material, a partir de 2005, para escrever a História do Brasil no Himalaia, que está sendo publicada no site Altamontanha (www.altamontanha.com.br), notei que cada uma das participações brasileiras nos primórdios de nosso himalaísmo (1982-1991) tinha suas características próprias, suas particularidades, mas lá no fundo todas possuíam um ponto em comum. E esse elo ligando-as era o Clube Alpino Paulista.

Pode-se dizer sem medo de errar que não haveria himalaísmo brasileiro como conhecemos hoje se não fosse o CAP. O nosso montanhismo na Ásia teve sua gênese nos intercâmbios realizados nos anos 80 entre o Clube e alpinistas poloneses.

Foi assim que em 1982 os primeiros brasileiros pisaram diante de um cume 8.000, os pioneiríssimos Michel Bogdanowicz, Alexandre Bruno Ventre e Max Luiz Haim. E partilharam das encostas do Makalu com lendas do montanhismo mundial, como Leszek Czok e Andrzej Machnik. Chegaram apenas até 6.600 metros, mas foram os metros decisivos para iniciar nossas aventuras nos gigantes asiáticos.

Aprofundando os intercâmbios, em 1985 José Luiz Pauletto foi ao Kangchenjunga para tentá-lo no inverno, uma proposta bem mais radical e difícil. Foi a 7.200 metros, a maior altitude atingida por um brasileiro até então. Em 1987 foi a vez de Thomaz Brandolin no Makalu, também invernal, indo até 7.400 metros, de novo a maior altitude atingida por um brasileiro.

Em 1991 Brandolin fez a primeira expedição realmente nacional, com destino ao Everest, composta por vários membros do Clube Alpino Paulista, expedição importantíssima para nós, seminal em vários aspectos.

Olhando em retrospectiva, há o brilho do CAP em todas as etapas de gestação de nosso himalaísmo. Que o CAP ao fazer 50 anos em 2009 se renove e continue brilhando por mais 50, formando novos talentos, congregando todos os que gostam de alpinismo e sendo referência importante no mundo do montanhismo.

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