Pedra da Mina – Curso de Gelo (Parte 1)

Nos dias 23 e 24JUN foi realizado em Passa Quatro-MG, uma das etapas da realização do Curso Básico de Escalada em Gelo. Na sexta-feira dia 22JUN, começamos a nos deslocar para a pequena cidade de Passa Quatro, que fica muito próximo de Cruzeiro-SP, às vezes até causando confusão de onde estávamos, se em São Paulo ou Minas Gerais (para quem não conhecia o local). Sérgio e Naiche foram bem cedo para não pegar o trânsito na BR, enquanto que Mateus, Felipe e Gustavo foram mais tarde, por volta das 2100h e no caminho fui incorporado ao grupo, depois de seis horas de ônibus Rio x São Paulo. Chegamos no Hostel Harpia e Passa Quatro por volta de meia noite, depois de darmos umas duas voltas na pequena cidade meio que perdidos. No Hostel, tudo apagado e todos dormindo, fomos “invadindo” e nos alojando quando fomos recebidos. Nos jogamos na cama para descansar um pouco pois dentro de poucas horas estaríamos iniciando nossa aventura pelas trilhas da Serra Fina.

Pela manhã, ainda escura e friorenta, começamos a nos preparar. Banho frio para despertar (o próximo banho somente no final do dia seguinte), preparação de roupas para caminhada e mochila para pernoite. Estávamos tomando café, quando chegou o gerente do Hostel trazendo mais pães para o café. O detalhe é que ele estava usando uma cargueira de 70 litros com alguns pães – deve ser coisa de montanhista, onde vai leva uma cargueira. Pães, bolos, queijos, frutas, café, leite,… e ainda um fogão a lenha para esquentar o queijo … isso não tem preço.

Hora depois, estávamos embarcando as mochilas e nossos corpos descansados para uma aventura que depois de nove horas não estariam tão descansados assim. Chegamos na Toca do Lobo depois de quase uma hora de Bandeirante tração nas quatro rodas. Iniciamos a trilha e seguimos em direção a Pedra da Mina onde faríamos nosso acampamento para pernoite, aproveitando é óbvio, os pontos para coletar água para podermos beber durante a caminhada. Passamos pelo Capim Amarelo, Maracanã, num sobe e desce, sobe e sobe, desce e desce, acompanhando totens e fitas nas árvores, sem problema, exceto em uma descida logo após o morro do Capim Amarelo. Seguimos por um caminho à boreste (direita) que aparentava ser a trilha, descemos por um trecho muito íngreme e escorregadio, quando de repente a trilha terminava; resultado: tivemos que subir tudo novamente para encontrarmos a verdadeira trilha por bombordo (esquerda) de onde estávamos. Quando o cansaço batia, ficávamos nos perguntando “De quem foi a idéia?”.
A poucos metros de terminarmos a primeira descida, em um trecho também íngreme e escorregadio, o Naiche escorregou e feriu sem gravidade sua mão, neste mesmo lugar, apesar de vê-lo escorregar, escorreguei também, neste dia foram escorregões atrás de escorregões, mas nenhum com sérios problemas. Após passar uma pomada e fazer um curativo, continuamos nossa caminhada.

No final do dia chegamos à Cachoeira Vermelha, a mais ou menos uma hora do cume da Pedra da Mina. Devido ao desgaste de nove horas de caminhada e de termos no local água á vontade, resolvemos então montar o acampamento e pernoitar. Montamos as barracas e logo chegou a noite, e fria, diga-se de passagem, em seguida fomos preparando o jantar. Massas e queijos para uns e eu com meu miojo e sardinha (no meu cardápio isso nunca mais – nota zero), foi muita gozação.  Nota 10 pro Mateus que levou uma garrafa de vinho para brindarmos o dia. Depois de tudo isso, hora do descanso sagrado para recuperar forças, são seis horas de caminhada previstas para o dia seguinte.

Acordamos e percebemos que a noite foi mais fria que o esperado, muitos locais com água ou umidade estavam com uma camada fina de gelo, mesmo assim todos tiveram uma boa noite de sono. Preparamos o café, desmontamos as quatro barracas e marchamos rumo ao cume da Pedra da Mina, passando de vez em quando em locais molhados com água congelada, principalmente nas pedras, e ficamos mais atentos para evitar acidentes. Uma hora depois estávamos no cume apreciando a bela vista dos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, olhando ao longe o Pico dos Três Estados, Agulhas Negras e outros. Registramos nossa passagem no livro lá existente, e é claro registramos o momento com fotos. Fizemos um pequeno lanche, bebemos água e iniciamos o retorno, sobe e desce, sobe e sobe, e um pouco mais de desce e desce que fez com que redobrássemos a atenção para não sofrermos acidentes, uma vez que o caminho agora tinha um pouco mais de pedra e um tanto mais íngreme. Seguimos todos a uma e bem próximos uns dos outros, porém a meia hora de chegarmos à Fazenda Serra Fina, Naiche e Felipe avançaram mais rapidamente e se distanciaram dos outros.  Enquanto o segundo grupo estava preocupado com os dois, pensando que poderiam estar para trás perdidos, os dois estavam muito preocupados tomando cerveja no boteco da estrada.

Encerrada a caminhada, embarcamos novamente na Bandeirante e retornamos ao Hostel, tomamos banho, nos trocamos e partimos rumo a São Paulo/Rio de Janeiro passando pelo centro da cidade para conhecer e poder comprar alguma lembrança. Chegamos na BR e paramos no Graal-Três Garças para almoçar/jantar e em seguida nos despedirmos e cada um seguiu seu rumo. Cheguei no Rio pelas 0400h e fui direto da rodoviária para meu trabalho. Cansado, “De quem foi a idéia?”, mas muito satisfeito de ter realizado a aventura.

Obrigado a todos por estes três dias.

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