La Paz / Condoriri / Huayna Potosi – Curso de Gelo (Parte III)

Planejamento

Vejo que é muito importante iniciar comentando sobre a necessidade de um planejamento bem feito para o cumprimento da “Missão”, afinal missão dada tem de ser cumprida.
Por isso quero dar parabéns ao Sérgio e ao Wagner. Todos os detalhes foram observados, se houve alguma coisa que foi deixada de se pensar, não comprometeu nossa passagem no Condoriri e em Huayna Potosi.

O planejamento se iniciou no Brasil verificando o que poderia ser levado e o que poderia ser adquirido em La Paz, hospedagem, aclimatação, e outros detalhes que certamente encontraremos listados no caderninho do Wagner, ele registra tudo e não deixa passar nada …..
Fazer uma excursão a um único lugar já requer cuidados no planejamento, agora imaginem sair diretamente de um lugar para outro.

Chegamos em La Paz em dias variados, uns no dia 13, outros no dia 14 e eu no dia 15JUL. No dia 16 foi feriado em La Paz, por isso não aproveitarmos o comércio, fizemos apenas a aclimatação que foi em Tiwanakuno primeiro dia, a uns 4.100m e em Chacaltaya a 5.400 m aproximadamente (até os 5.300 m fomos de ônibus os outros 100 m fomos caminhando).

Monolito em Tiwanaku.
Mateus, Sergio e Wagner no cume de Chacaltaya.

Sobrou apenas o dia 17 em La Paz, foi uma correria louca para comprarmos a comida, algumas roupas, e comprar ou alugar alguns equipamentos. Por lá consegue-se alugar qualquer coisa, desde sacos para dormir e barracas, até óculos Julbo a preços bem razoáveis. Contratamos a condução para nos levar ao Condoriri no dia 18, buscar-nos no dia 23 e levar-nos a Huyana Potosi e depois nos apanharia em 26JUL para nos deixar no hotel em La Paz. Basicamente tudo aconteceu dentro do que foi programado. Os cálculos para a compra da comida para os dias de acampamento foram bem feitos, até ovos mexidos tivemos no café da manhã no Condoriri. Muito pouco sobrou e praticamente não faltou nada no final da excursão.

Condoriri

Chegou o dia “D”. Colocamos bastante coisa na van que nos deixaria mais tarde no Condoriri. Saímos pelas 9h do Hotel Presidente e cruzamos La Paz com Julio, o motorista que pilotava a van, algumas vezes parecia um louco nas ultrapassagens. Chegamos ao Condoriri depois de alguns km de estrada de asfalto, alguns km de estrada de chão, com direito a pneu furado em uma estrada no meio do nada.

Contratamos a senhora que mora no inicio da trilha para levar nosso material em alguns burros até o acampamento base do Condoriri. Realizamos 5 pernoites acampados, com atividades práticas no glaciar que ficava cerca de 50 minutos do acampamento, entre deslocamento com uso de crampons e corda, técnicas de 10 e 12 pontas, autofrenagem, segurança de cordada, resgate em greta, ancoragem, uso de parafusos para gelo, e outras. Após os treinamentos e já no acampamento, iniciava-se a preparação do jantar aproveitando ao máximo a luminosidade do dia.  Acendíamos o fogareiro da barraca-cozinha para iniciar com as sopas revigoravam as forças, esquentava o corpo e abria ainda mais o apetite, que já era de leão.

No jantar houve revezamento de cozinheiros e estava tudo dando certo até que inventaram de mudar o que não deveria ser mudado, resolveram no meio de uma receita de macarronada incluir um tal de macarrão “cabelo de anjo” e deu tudo errado. Tinha alguns oferecendo até U$ 100 para que outro comesse a sua etapa do jantar.

Foram dias bastante gratificantes, com bastante trabalho, muita disposição, muita concentração e tudo isso com segurança. Apesar de seguro, pequenos acidentes podem ocorrer e infelizmente em um dos exercícios que era realizado segurança de cordada, o Gustavo caiu de mau jeito no momento que tentava fixar a piqueta quando era puxado, rompendo um ligamento do ombro, o que o obrigou no dia seguinte retornar a La Paz.
Findado nossos dias no Condoriri, pela manhã de 23JUL, começamos a desmontar o acampamento e logo estávamos carregando novamente os burros para retornar com o material. Novamente com o Julio rumamos à pista.

Huayna Potosi

Uma pequena falha do pessoal de apoio (o responsável pela van) nos fez voltar a La Paz.  Deixamos o alimento que seria utilizado no Huayna para o motorista levar – resultado: esqueceram. Chegando ao Huayna, e devido ao atraso, procuramos nos instalar e passar a noite no Refúgio Huayna Potosi, porém uma dúzia de argentinos haviam reservado todo o espaço. Sobrou apenas outro refúgio que estava em construção, que infelizmente não possuía água encanada para chuveiro. Pelo menos havia água corrente na descarga do banheiro e uma cama para dormir. Foi muito bom ter uma cama depois desses 5 dias no Condoriri. No dia seguinte iniciamos nossa caminhada e chegamos próximo ao Campo Argentino, onde montaríamos as barracas para os 2 pernoites finais. Verificar o local seguro, preparar o terreno observar a posição e o reforço da fixação das barracas é indispensável para se ter um acampamento seguro, principalmente diante de ventos fortes. O uso da água, ou melhor, da neve como fonte de água foi muito interessante. Já era noite e o frio estava intenso, preparamos o jantar às pressas e entramos nas barracas, as luvas e roupas eram suficientes, mas a falta de costume fez com que sentíssemos bastante a ação do frio e pudemos ver também a importância de aproveitar a luz do dia. A temperatura cai vertiginosamente quando escurece.  No segundo e penúltimo dia no Huayna, levantamos, preparamos o café e partimos para mais um treinamento de resgate em gretas, agora com uma diferença, era uma greta de verdade. Quanto mais rápido, mais seguro será o resgate. Terminado o treino, voltamos ao acampamento para descansar, pois o dia seguinte começará à 1 h da manhã.

Até o retorno ao acampamento foi difícil, principalmente na mesma greta onde tivemos a dificuldade na subida. Chegamos ao acampamento e descansamos um pouco e iniciamos o desmonte das barracas. Iniciamos a descida e uma hora e meia depois estávamos na estrada junto ao refúgio retirando o material que havia ficado e preparando par embarcar na van e retornar à La Paz. Após fecharmos a conta no refúgio, embarcamos e partimos para o hotel onde ficaríamos por duas noites, diga-se de passagem, um excelente hotel, foram quase duas horas de banheira com água quente.

Depois de 9 dias sem banho você queria o quê?

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