Relato de Saída
Cajon de Rio Blanco,zona limítrofe entre Região Metropolitana e VI Região do Chile
Objetivo:Cume do Cerro Azufre,4.396m
Marcelo Campos &Cris Silva
Novamente o casal em busca de aventuras geladas e remotas,parte rumo ao Chile numa “mini-expedição” de 3 dias pela remota região de Rio Blanco,distante aproximadamente 4horas de Santiago.
Região esta,com belíssimas montanhas,todas na quota dos 4.200m e 4.400m,escaladas pela primeira vez apenas em dezembro de 2010. São cobertas por um manto glaciar que dá origem ao Rio Pangal,que precisa ser cruzado várias vezes para se chegar ao CB.
Depois de partir no dia 22 a zero-hora direto do Aeroporto de Santiago rumo a Coya,o descanso veio em frente ao posto avançado dos Carabineros de Chile. Descanso esse,felizmente prorrogado até as 8hs da manhã,horário em que a passagem é liberada. Depois disso,resta aprox 2hs de direção por estrada regular que acabada exatamente na foto ao lado,onde também se inicia a caminhada de aproximadamente 8 horas ao final do vale e tao esperado CB.
O caminho segue por terreno pedregoso,de pendente moderada e contínua,que vai ganhando altura desde os 2000m (final da estrada) ,até chegar aos 3200m,local onde montamos o CB.
O CB custou a chegar,as botas de montanha faziam seu papel de torturar os pés,o vento de frente trazendo a neve na cara deixava a situação ainda mais complicada e a apreensão por uma mudança no clima era evidente e mais que desejada,já que nesta modalidade de “alta montanha express”,não dá tempo pra esperar muita coisa…é olhar pra cima e ir!!
Chegamos no local em que montamos o CB aproximadamente as 19hs,o “breu” já dominava o cenário há tempos,e nos impediu de subir por uma canaleta exposta e ganharmos uma hora de aproximação no dia do cume.
Aí veio o dilema:“Se o clima está tenso e não vamos encará-la agora,como será na madruga de amanha para irmos ao cume ???”
Bem,a resposta para essa pergunta veio dormindo,porque acordado nenhum dos dois se manifestou….e veio da melhor forma,dormindo tanto que perdemos a hora e fugimos da tal canaleta na escuridão…ao menos por enquanto!!!!
Dia 23,acordamos as 6hs,horário este que já começava a clarear e pra nossa incrível surpresa,“todo despejado”,nenhuma nuvem sequer!!! Aceleramos,e as 6:30 já estávamos no pé da canaleta felizes da vida com a benção dos céus.
Este dia começou as 6:30 e só foi acabar as 19hs,exatamente na mesma canaleta (foto ao lado),que desta vez,não escapamos e a encaramos no escuro…e descendo!! Um pouco de tensão pra fechar o dia perfeito,lógico!
Voltando a subida…..após superarmos a canaleta,chegamos ao local recomendado pelos primeiros excursionistas que foram a região,uma linda planície rodeada de montanhas e com vários lugares protegidos e planos,bem diferente da nosso improvisado CB.
Deste ponto,ainda não se podia ver o nosso cume de destino,mas a certeza era de que o caminho era pra cima!!!
E subimos….subimos por morrenas,glaciares,acarreos,neveros e nem sei mais pelo que…o que mais tinha era subida de todas as formas por todos os lados.
Pra compensar,o clima era realmente perfeito,e as montanhas em volta faziam um cenário incrível para o relaxamento mental,porque o físico estava difícil de relaxar.
Em aproximadamente umas 5 hs desde o CB,estávamos calçando os crampons e encarando mais umas 2hs de marcha por um glaciar de pendente moderada,que nos conduziria ao filo final,depois dele,nossa jornada ainda duraria pelo menos 1h de subida por um acarreo de pedras soltas e antes,um campo de penitentes.
O cansaço ia tomando conta,e o dia passando rápido….a ideia de ir em busca de outros dois cumes além do próprio Azufre já começava a ser descartada,mas o desejo de atingir o “dito cujo” seguia firme e forte em nossas mentes.
Superar o campo de penitentes não nos trouxe muitos problemas,salvo pelas esquivadas pra lá e pra cá,em busca do melhor caminho,que nos tomou algum tempo…..após cruzá-lo,podíamos ver claramente o cume e a rota a ser seguida pelo acarreo.
Neste momento,a certeza de que chegaríamos ao cume nos alegrava e dava um gás aos dois. Pra completar a satisfação,a vista deste portezuelo que se conecta ao cume era sensacional,com uma ampla visão de toda a cordilheira central.
Hora de comer um chocolate,respirar e subir os últimos 40 minutos pelo bendito acarreo…lugar relativamente exposto e ventoso,mas que não nos trouxe grandes problemas.
Já era tarde,passava das 14hs e além de pensarmos no cume,a rota de volta já estava sendo planejada. O fato de descer por alguma parte no escuro já era previsto.
Seguimos pelo resto do caminho em bom ritmo,sem qualquer sintoma decorrente da altitude nos perturbasse,talvez pelas últimas e recentes idas a altitude um pouco superior…Neste ponto,estávamos na quota dos 4300m e poucos metros nos separavam do nosso objetivo tão suado.
Finalmente ,já sentíamos o vento soprar mais forte e o coração acelerar…poucos passos a mais,um abraço de felicidade,e…chegamos!! Celebrar uma conquista num lugar incrivelmente lindo e remoto,com uma pessoa querida é algo sensacional,e esse sentimento nos dominou.
A descida foi totalmente tranquila,em algumas partes mais íngremes,era se jogar e depois….auto-detenção!!! Nesse ritmo,aceleramos bem,e quando a lua já decorava o céu,só nos restava descer pela tal da caneleta.
Canaleta superada,“banho” tomado,rango e vinho devidamente degustados e hora do merecido descanso,pois no dia seguinte,era descer caminhando por 5hs,dirigir por mais 4hs e depois voar por mais 4hs…tudo no ritmo do casal,juuuusto!
Final feliz,descenso completo,direção sem estresse e voo no horário….o tão esperado relaxamento veio apenas no avião,vendo a lua iluminar a cordilheira por onde andamos e desfrutamos tanto em tão pouco tempo….sensacional!
A planejar a próxima…e se possível,que os amigos nos acompanhem!!
Saludos!








Que beleza de relato!
Imagino que a sensação de se chegar ao objetivo é mesmo incrível…sensação que espero um dia sentir.
Boa sorte pra vocês!