Um pouco de inspiração

São Muitos os livros que retratam o montanhismo.

Relacionei algumas de minhas frases favoritas


Gracias Montanha
” Por haberme dado lecciones de vida, porque fatigado he aprendido a gustar del descanso, porque sudado he aprendido a apreciar un sorbo de agua fresca, porque cansado me he detenido y podido admirar la hermosura de una flor, la libertad del vuelo de las aves, respirar el perfume de la simplicidad, porque solo inmerso en tu silencio me he visto al espejo y asustado he admitido mi necesidad de verdad y amor, porque sufriendo he saboreado la alegría de la cumbre percibiendo que las cosas verdaderas, aquellas que levan a la felicidad, se obtienen sólo con esfuerzo, y quien no sabe sufrir jamás podrá entender ”

BATTISTINO BONALI


“Mas os dias que estes homens passam nas montanhas, são os dias em que realmente vivem. Quando as cabeças se limpam das teias de aranha, e o sangue corre com força pelas veias. Quando os cinco sentidos recobram a vitalidade, e o homem completo se torna mais sensível, e então já pode ouvir as vozes da natureza, e ver as belezas que só estavam ao alcance dos mais ousados.”

Reinhold Messner


“…não ambicionava qualquer glória, e as mais modestas escaladas deixavam-me louco de alegria. Para mim a montanha não era mais que um reino maravilhoso onde, por qualquer mistério, eu me sentia mais feliz.”

Lionel Terray


” Está se abrindo um novo campo de distração, uma nova maneira de ser feliz. A alegria é o sentido de nossa existência. Não vivemos só para comer e ganhar dinheiro. Muitos de nós sabemos, por própria experiência, que uma escalada é uma das mais esplêndidas fontes de prazer. Que maravilhoso resulta enfrentar a montanha, aplicar nossas forças contra os obstáculos naturais e sentir como nosso espírito vence a matéria inerte! ”

George Leigh Mallory


” Atualmente todos vivemos em um mundo dominado pelas máquinas. Quase não restam em nosso deteriorado planeta espaços livres, onde possamos esquecer nossa sociedade industrial e testar, sem sermos incomodados, nossas faculdades e energias primitivas. Em todos nós se esconde uma saudade do estado primogênito, com o qual podíamos calibrar-nos com a natureza e enfrentá-la, descobrindo a nós mesmos. Aqui está basicamente a razão de não haver para mim uma meta mais fascinante que esta: Um homem e uma montanha. ”

Reinhold Messner


” Aquele que cresceu nas montanhas pode viver durante anos na cidade, desenvolver um trabalho científico e enriquecer sua inteligência, mas o que não pode fazer é permanecer eternamente lá embaixo. Quando vê aparecer o sol entre as nuvens e sente o vento no rosto, sonha como uma criança com novas aventuras nas montanhas. Comigo acontece exatamente isso. ”

Reinhold Messner


” Se a conquista de um grande pico traz momentos de triunfo e glória, o que não se pode conseguir na monótona e materialista existência dos tempos modernos, ela também traz grandes riscos. O objetivo do alpinismo não é defrontar-se com o perigo, mas este é um dos testes a que devemos nos submeter para que mereçamos o júbilo de, por um instante, pairar sobre o estado de vermes rastejantes. ”

Lionel Terray


Algumas frases que tenho marcadas no meu livro “Os conquistadores do inútil” – Em português (de Portugal)

Pag 18
Escalada do Dente Gérad
Aqui Lionel ainda era um iniciante

“A primeira travessia efectuou-se no meio de horríveis guinchos de pregos, cujas derrapagens soltavam enormes faíscas. Por várias vezes fiquei pendurado pelas mãos, e só por milagre não me estalei nos pedregulhos a cerca de vinte metros abaixo de mim. Quando, sem fôlego, cheguei finalmente a uma plataforma acolhedora, um grupo de cinco alpinistas que tinham observado minha ascensãocheios de angústia, pensando que mais valia sair vivos até ao cume doque descer mortos, ofereceram-se pára atar minha corda a deles. Esta proposta começou por ferir o meu amor-próprio, mas lembrei-me de quanto minha subida fora duvidosa e, por fim o instinto de conservação triunfou da vaidade”


Pag 50
“Ah, não peçam a graça de uma vida fácil!Peçam para se tornarem homens mais fortes! Não peçam para terem tarefas proporcionais às vossas forças! Peçam para que vossas forças estejam à altura das vossas tarefas”


Pag 63
O dente de Caimão
Lionel e Gaston

Esta é minha passagem favorita.

“Onde vão esses estranhos alpinistas que depois de terem atravessado rapidamente o glaciar dos Pèlerins, subindo às rochas geladas de assalto, galgando or primeiros metros do careiro, se afastam de repente para seguirem de pedra em pedra numa direcção que não leva a parte nenhuma?…
Carregando um saco enorme, o primeiro, alto e forte caminha com passo irregular; vestido com calças remendadas cem vezes e com camisolão mais miserável ainda, levanta no ar uma picareta extremamente curta; nos seus olhos claros brilha uma luz estranha. O seu companheiro, pelo contrário, com a roupa mais apurada, segue em largas passadas, com andar nobre e calmo. Contodo, no seu olhar brilha a mesma chama… Onde vão estes dois estranhos companheiros? Sabe-lo-ão eles próprios? Partem à aventura; partem para viver horas ardentes, para sofrerem e serem felizes, para lutarem e vencerem. Longe dos abrigos e dos cumes conhecidos, vão reviver a existência exaltante e incerta dos primeiros conquistadores da montanha”


Pag 77
O dente de Caimão

” Conforme já disse, é possível praticar o < grande alpinismo> durante vinte ou trinta anos e morrer de velhice. Nesta longa aventura, o mais difícil é atravessar a barreira dos primeiros quatro ou cinco anos”


Pag 113
No paredão Walker

“Não vejo o patético da minha situação. Digo simplesmente Penso isso como se não se tratarsse de mim, mas de qualquer coisa sem valor. Já não sou o mesmo homem, aquele que, preso à terra por mil laços, me impunha os seus terrores e as suas fadigas com vontade constantemente limitada; a minha personalidade abandonou-me, os laços com a terra quebraram-se: Já não tenho medo, nem fadiga; sinto-me como levado no ar; sou invencível, nada pode deter-me, atingi aquela embriaguez, aquela desmaterialização que procura o esquiador sobre a neve, o aviador no céu, o saltador no trampolim.”


Pag 117
“Finalmente, o nevoeiro que nos envolve dissipa-se um instante. Alguns metros abaixo de nós vejos deslisar as nuvens empurradas por um forte vento do sul. A crista está portanto ali, acima daquele pendor: mais 20 ou 30 metros e conseguimos. De repente, os meus nervos, tensos demasiado tempo abandoam-me. Bruscamente descubro todos os perigos que me cercam e sinto um medo atroz. O cansaço e a vertigem paralisam-me. Estes ultimos metros, contudo bastante fáceis, parecem-me os mais difíceis. Só graças a um grande número de pitões consigo içar-me até o cume. Sob as rajadas de uma ventania violenta, atiro-me à aresta nevada. Não tenho nenhum sentimentopreciso, apenas a impressão de viver o fim de um sonho renovado a cada passo. Assim, meses de preparação e de sonhos encontram o seu desfecho nesta aresta anónima, que meu coração recebe quase com indiferença. Mas não é certo que a felicidade etá no desejo e não na posse? A aventura terminou. Voltou-se uma página da minha vida. Cambaleando um pouco, afasto-me, envolto no nevoeiro”


Pag 135
No Eiger

“Quantosdeles, vencidos, com a alma desesperada e cheia de amargura da derrota, se deitaram aqui, encharcados e a tremer de frio? Quantos morreram por terem querido conhecer por algumas horas a vida ardente dos conquistadores ?”


Pag 137
Ainda no Eiger
“De repente, sinto-me dominado pelo peso de uma enorme solidão. Toda hostilidade daquele mundo, toda insensatez da aventura, me surgem com uma nitidez apavorante. Para quê continuar essa louca empresa? Ainda estou a tempo de me revoltar, de gritar a Lachenal que está doido, o meu horror aquelas rochas geladas e fugir para o calor e para a vida.
Mas não faço nada. Uma força misteriosa impede-me de agir; no íntimo do meu coração sei que é demasiado tarde para recuar, e que meu destino está marcado: vencer ou morrer.”


Pag 154
“No decorrer da discussão, este entusiasmo, esta vontade de vencer a todo custo, acabam por me dominar. Naquela manhã enevoada, a descida não me parece convidativa e, afinal, não viemos em busca de aventura? Aí está ela, mais apaixonante do que nunca. É preciso vivê-la.”


Pag. 162
Depois de conquistar o Eiger

“Não sinto qualquer emoção violenta: nem o orgulho de ter realizado um feito invejável, nem a alegria de terminar uma tarefa difícil. No alto da vertente perdida no meio do nevoeiro, não sou mais do que um animal cansado e cheio de fome. Experimento apenas a satisfação animal de sentir que acabo de . ”


Pag 168
Durante uma tempestade no Eiger


ATENÇÃO NAS MONTANHAS
Por Reinhold Messner
Tradução: Filippo Croso
Texto parte do Guia das Vias de Escalada de Andradas,
a ser lançado em breve.

É preciso estar atento sempre, a cada passo, ao céu
que se cobre de nuvens, ao companheiro, à mochila, e
sobretudo à si próprio. Ao montanhista foi restituído
um sexto sentido que tem que estar o tempo todo
desperto no sub-consciente. Utilizo o termo
“restituído” porque acredito que em um tempo
pré-histórico todos os seres humanos o possuíam.

Atenção a todo momento a tudo aquilo que nos cerca e
àquilo que ainda está na distância. Atenção ao
utilizar um equipamento, uma proteção, ao apoiar o pé,
à escolha do momento para descansar, para tirar uma
foto e para cozinhar.

Ninguém escala sem correr riscos. As montanhas estão
cheias de perigos que devem ser reconhecidos e
evitados a tempo. Para isto serve o sexto sentido. Na
prática do montanhismo, o importante não é somente
avançar, ascender e olhar, mas também prestar atenção.
A ponderação atenta, da qual depende a vida do
montanhista, deve se tornar um verdadeiro sensor
receptivo que nos induz à circunspecção, à prudência e
à precisão. Prestar atenção, sem medo, significa
orientar a nossa consciência e as nossas ações às circunstâncias que podem esconder perigos.

Não devemos procurar o perigo, mas sentí-lo
instintivamente. Não nos é dado saber de onde vem. O montanhista sabe que não tem como saber aquilo que o aguarda; é o lado mais fascinante da sua atividade. Todavia, se quer evitar cair vítima deste fascínio, deve possuir uma atenção que não consiste em ver perigos por toda parte, mas sim a de não pressupor nada. Uma vigilância compreensiva que não está nunca voltada em uma única direção, mas que busca sempre estar presente em todas.

O montanhista tem que estar acordado mesmo quando
dorme: uma condição de vigília perene na qual vive
também o animal selvagem, uma condição que confere a
ambos uma aura especial irradiante. O montanhista,
para o qual nada é perigoso, mas para o qual tudo pode
se tornar um perigo, considera o contexto no qual se
movimenta, prestando atenção a não se precipitar, a
não cair em um vazio, a não ser abatido por pedras que
caem, enquanto sobe rumo a sua meta.

“Uma fome atroz fazia-nos doer o estômago e havia horas que sonhavamos com o banquete que iríamos comer. Não será esta uma das qualidades do alpinismo: realçar o valor de actos tão banais como comer e beber?”


Texto de Jim Bridwell enviado por Filippo

PRIMEIRA ESCALADA, RIO DE JANEIRO: Anos 50

A luz do sol brilhava ao longo das costas da lagartixa
como água. Cada vez que eu tentava alcançá-la, ela
disparava, rápida como um peixe, rocha acima, nadando
sobre saliências e através da sombra fresca de
pequenas fendas. Eu tinha seis ou sete anos. Eu sempre
gostara de olhar pequenos animais, mas a lagartixa
absolutamente me hipnotizava. Agora, ela serpenteava
fora de alcance. Eu toquei a rocha, desejando que
minhas mãos e pés pudessem aderir às lacas de granito
como os da pequena criatura, e então, sem pensar, eu
comecei a escalar atrás dela, cada vez mais alto na
parede. De vez em quando a lagartixa parava, como que
para me atrair.

Meu pé escorregou um pouco em um trecho solto e eu
olhei para baixo. No terreno abaixo de mim, tudo havia
se tornado menor. Não havia ninguém por perto. Eu
comecei a tremer. A lagartixa sumira. Uma sombra
pareceu passar sobre o dia claro. Lentamente eu
relaxei o aperto forte de minha mão na agarra acima e
movi meus dedos trêmulos para a que se encontrava
abaixo. E então a outra mão, e um pé, retornando no
lance. O mesmo terreno que eu havia passado,
hipnotizado pelos movimentos fáceis da lagartixa,
havia se tornado mais íngreme, as agarras mais
difíceis de se achar.

Quando os meus pés atingiram o chão, eu tropecei para
trás, estranhando o mundo horizontal. Minha ansiedade
passou e eu imaginei a lagartixa, alto na parede,
olhando para baixo para mim, seu corpo esguio rápido
como um piscar de olhos.

Por anos a lembrança daquela beleza e daquele medo
fermentaram em mim até que eu percebi que não era por
causa da lagartixa. Eu queria capturar algo ainda mais
indefinível: eu queria encontrar os limites de minha
própria imaginação.”

Jim Bridwell

Um pouco de Humor…

Os textos a seguir são traduções (adaptadas) de textos encontrados na internet.

Atenção, são textos de carater humorístico e devem ser tratados como tal.
Não é intenção desmerecer nenhum dos sexos nem nehum tipo de escalador.

Divirtam-se

– Porque escalar é melhor do que sexo (visão masculina)
– Porque escalar é melhor do que sexo (visão feminina)
– Melhores desculpas p fugir de uma escalada
– Porque as paredes são melhores que as mulheres
– Você pode se considerar um montanhista se…
– Você percebe que escolheu o parceiro errado para escalar quando…
– Sinais que vc não é um dos melhores escaladores…
– Você é extremo se…
– Sinais Você Escolheu oGuia Errado para o Mt Everest:

Contéudo adulto

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Itatiaia – Caminhadas e incêndio

Por Roney Perez; membro do Centro Excursionista Universitário (CEU)

Mais um incêndio no Parque Nacional de Itatiaia, 1.000 hectares e seis anos após o último que destruiu 600 hectares. Sempre na mesma região do Planalto, área acima de 2.000m dominada pelos campos de altitude. Mais uma vez surge a suspeita de incêndio criminoso e intencional provocado por moradores dos arredores, regra quebrada no incêndio de 2001, causado por turistas perdidos a poucos metros da estrada. Fogo também igual aquele que consumiu 5.000 ha em 1988, 1995 e tantas outras vezes como em um relato e fotos do antropólogo Levi-Strauss que subiu o Pico das Agulhas Negras envolto na fumaça em 1937, mesmo ano da fundação deste primeiro parque nacional. Quantos outros pequenos incêndios caíram no esquecimento ou restou somente o registro em algum arquivo?

A causa fundamental dos incêndios não é outra: questão fundiária não resolvida. Decreta-se um parque e as indenizações não são pagas, os moradores não são removidos e assim fica. Continue lendo “Itatiaia – Caminhadas e incêndio”

PNI URGENTE: Abram essa Trilha

PNI URGENTE: Abram essa Trilha

Sinalização Indicativa e Mapeamento da Trilha Ruy Braga
30 de Abril e 1º de Maio de 2007.

Participei, no último feriado, da travessia Rebouças – Maromba(Ponte no Parque Baixo) para sinalização e mapeamento, com o intuito de reabrir ao público o acesso às trilhas do planalto; seguem abaixo os dados recolhidos, as sugestões para a recuperação das mesmas e desde já a minha conclusão: ABRAM ESSA TRILHA JÁ.

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Situação Crítica

Estamos vivendo uma fase que precisamos refletir sobre a existência do nosso esporte/atividade. Neste ano (2006) tivemos muitas perdas: de potencial humano (falecimentos); de material (fechamento de revistas) e problemas de acesso. Embora a maioria não tenha interesse pelo o que está acontecendo, achando que escalar é o que importa, apenas isso, em um futuro não muito longínquo esses mesmos não poderão nem mesmo escalar nas principais áreas.
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Um esporte ameaçado

Publicamos aqui o texto do André Ilha, que discute com propriedade o problema do livre acesso e livre usufruto dos ambientes naturais pelos montanhistas, versus a febre regulamentadora que toma conta do segmento dito “de aventura”. (SRobles)

Praticado eventualmente no Brasil desde o século XIX, o montanhismo, termo que engloba caminhadas e escaladas em rocha, ganhou impulso com a histórica conquista do Dedo de Deus, em Teresópolis, em 1912, feito que teve repercussão nacional à época. Pouco depois, em 1919, era fundado o Centro Excursionista Brasileiro, primeira agremiação do gênero em toda a América Latina, e desde então o esporte vem crescendo de forma ininterrupta, reunindo hoje milhares de adeptos que o praticam, como norma geral, dentro de elevados padrões técnicos. Boa parte destes montanhistas encontra-se filiada a dezenas de clubes, quatro federações estaduais e, agora, também à Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada – CBME, todos imbuídos do propósito de difundir o esporte dentro de padrões de segurança que nada devem aos mais avançados centros de escalada em todo o mundo.
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